Nesta Segunda-feira, dia 25/02/2013 ocorreu o 3° Encontro de Coordenadores Pedagógicos na E.M. Dr. Ulisses Silveira Guimarães. O material utilizado para nossas reflexões estão disponíveis a seguir:
Como ensinar a estas crianças que
nasceram dentro desse mundo digital?
Eu valorizo o texto; eles valorizam a ação, o
ritmo frenético de múltiplas imagens e flashes. Eu tenho uma caneta a mão e
escrevo idéias; eles filmam tudo e o postam no Facebook. Eu organizo o
pensamento em frases e parágrafos; eles postam sensações, vídeos, compartilham
tudo, não temem vírus nem perigos.
Sabemos que precisamos mudar a forma de
ensinar e de aprender, mas só conseguimos avançar até um certo ponto, até o
ponto do encontro afetivo e de uma parte da linguagem que compartilhamos em
comum. Há uma margem de incerteza e incomunicação com os pequenos. É muito
difícil que nós, mais analógicos, consigamos uma comunicação profunda com as
crianças digitais.
Num olhar mais aprofundado, percebo que ambos
nos necessitamos. Minha experiência
pode ajudá-los a enxergar além das aparências, a problematizar o que parece
definitivo, a encontrar algum ordem no caos, a fazer sínteses diferentes. Por
trás da agitação alucinada, há olhinhos interrogadores, inquietos, que buscam
inúmeras respostas. Muitas – as principais – não as temos, mas podemos
ajudá-los a pensar, a analisar, a perceber melhor, a desacelerar seu ritmo com
toques de reflexão e paz.
O entusiasmo e generosidade deles são
fantásticos para desbravar territórios desconhecidos, para trazer material
muito rico de pesquisa, de observação, que confrontado com nossa capacidade de
análise pode produzir resultados surpreendentes.
É importante ir até onde eles estão, conhecer
o que lhes é importante, entender como navegam. Se conseguimos acompanhá-los
nas formas de pesquisar, comunicar-se e divulgar-ser, poderemos partir de onde
eles estão e ajudá-los a evoluir, a degustar outros sabores e ritmos, a
descobrir outros mundos diferentes dos que eles valorizam. O acolhimento
afetivo é o caminho para encontrar os melhores percursos para chegar às suas
mentes e corações. A aproximação ao mundo deles nos ajudará a encontrar
atividades, recursos e desafios que façam sentido para nossos alunos e também
para nós.
Nós tentamos mudar a escola, mas eles a
redesenharão, quando forem adultos, a partir da riqueza de experiências de
aprender juntos conectados. Somos uma geração ponte entre modelos industriais
consolidados no passado e outros mais flexíveis que estamos construindo
penosamente aos poucos até que eles, já nascidos neste novo mundo, concretizem
suas experiências acumuladas de aprendizagem digital em processos
organizacionais muito mais próximos da sua sensibilidade, com práticas mais
coerentes e significativas, que façam sentido no mundo em que eles sempre
viveram, tão diferente de como nós aprendemos.
José Manuel Moran
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